Coisas que não foram faladas, ou cartas de amor que não foram entregues.
A termodinâmica diz que é impossível se atingir o zero absoluto, porque é impossível gerar frio, sem que uma máquina gere calor no processo.
Parece inconsistente, mas assim também é a vida. Não existem pessoas completamente frias, todos temos sentimentos que nos aquecem. Mas o fato de todos terem sentimentos não quer dizer que todos temos sensibilidade para compreender os sentimentos das pessoas ao nosso redor, alguns talvez até tenham, mas num ato egoísta preferem não se dar ao trabalho de fazer um pequeno esforço e descobrir a grande recompensa que está lá, presa talvez no centro de um grande “Iceberg”.
Todos temos sonhos, e desejos, que não nasceram para serem falados, entregues, mas sim descobertos, temos coisas que a boca não fala, mas que podem ser expressas pelo nosso olhar. Disfarçamos, dissimulamos tão bem as tristezas e até as alegrias, muitas vezes através de um bom humor forçado, um sorriso amarelo, ou uma seriedade aparente. Mas não fazemos isso por falsidade, fazemos porque queremos ser descobertos, não queremos que qualquer um se aproveite de nossos segredos, queremos alguém que se mostre digno, aquele que vai tirar a “excalibur” da pedra, e se tornar rei ou rainha de nosso coração.
“Decifra-me ou te devoro!” Não precisamos viver sobre esse estigma. O objetivo não é entender alguém, somos inentendíveis e inexplicáveis, nossas ações são imprevisíveis, mas são capazes de serem compreendidas. Não se busca quem nos entenda, tal pessoa não existe, Mas alguém que nos compreenda, que não julgue, que saiba o momento de dizer que estamos errados, e o momento de que acima de receber uma bronca, o que precisamos é apenas de colo, é preciso mais uma vez a sensibilidade associada ao bom senso.
Porque escrevi tudo isso? Porque não te quero por uma noite, não quero te julgar por se assim ou assado, não quero te conquistar para ser um troféu de exibição. Não, você me mostrou um pontinha do teu verdadeiro valor, e me deixou com vontade de descobrir mais, quero te conhecer, quero saber mais de você, da coisa mais banal ao que realmente te importa. Quero ter a sensibilidade pra olhar dentro de você, me encantar com tuas virtudes, achar engraçadinhos os seus defeitos. Quero que você seja importante pra mim, e que eu possa ser o mesmo pra você, que nos descubramos juntos, e que possamos quem sabe batalhar um pela felicidade do outro. Vontade não me falta!
Texto de Fevereiro de 2006